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Sou Marcia Wirthmann. Nasci em São Paulo em 1954, onde vivi até os 15 anos de idade. Foram anos em que a convivência com meus avós foi muito presente. Meu avô paterno fazia móveis de brinquedo e meu avô materno era tecelão e construiu uma pequena tecelagem no galpão dos fundos de casa, onde tecia as sedas que minha mãe bordava. Com minha mãe aprendi a escrever, a ler, a bordar, a desenhar. Com meu pai aprendi a pintar pequenos quadrinhos recortados em madeira, a misturar tintas e a estudar matemática.

Quando eu tinha 15 anos, mudamos para Brasília e, nesta época, comprei meu primeiro curso de desenho por correspondência, por volta de 1970. Aos 40 anos, ganhei tintas, pincéis, telas e livros de arte. Aquele presente abriu uma nova etapa na minha vida.

Nesta época eu morava em Anápolis e me matriculei no curso de arte na Escola Oswaldo Verano e, a partir daí, vieram muitos outros cursos, experiências e descobertas. Comecei a frequentar as Bienais de Arte de São Paulo, conheci o MASP e inúmeros outros museus e fui me aproximando de diferentes artistas, linguagens e modos de pensar a arte.

Entre os artistas que mais me tocaram está Georgia O’Keeffe, com suas formas orgânicas, seus contornos fluidos e sua maneira de olhar de muito perto aquilo que a natureza oferece. E Joan Miró, com a liberdade do desenho, a força da cor, o azul e o vermelho, os asteriscos, pontos, linhas e sinais que parecem vir de uma escrita muito antiga.

Hoje moro em Catalão – GO e decidi fundar a Travessia Arteira. Além de abrir um espaço para o trabalho de queridos colegas, quero também apresentar meu trabalho, resultado deste percurso de uma vida entrelaçada às minhas origens familiares e inspirações artísticas.

Sobre meus desenhos, penso que eles são fluidos e tento deixar a linha procurar seu próprio caminho. Ela nasce fina, avança, curva-se, encontra outra linha, repete-se, interrompe-se e recomeça. Aos poucos, o gesto se transforma em forma, e a forma parece prestes a voltar ao fluxo. Em cada desenho existe um movimento contínuo entre expansão e recolhimento, feito de fluxos que se tornam forma e de formas que parecem voltar ao fluxo.

Cada traço que desenho acaba se tornando uma linguagem muito pessoal, uma escrita feita de linhas. Sinto que penso e me organizo por essas linhas. Elas organizam o espaço, produzem ritmo, sugerem movimento e transformam uma superfície branca de papel em território.

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